quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Barraca das Palmeiras




É aqui onde eu acabo de acordar quase todos os dias, na Barraca das Palmeiras. Quando pego muito cedo meu Bultrins, velho de guerra, é no café-com leite das Palmeiras que eu começo a realizar minhas sinapses diárias. Comidinha de barraca "responsa", cardápio matinal de respeito: café preto, café-com-leite, sucos, vitaminas, pão com ovo, pão, com queijo, pão com queijo e ovo, pão com ovo e "verdurinha", coxinha, pastel de forno, pão-pizza, paçoca, cocada, pipoca Karintó... E olha que eu não falei dos preços: hoje, por por 100ml de café com leite + pão com ovo eu paguei R$ 2,80. E aí? Legal, não?


Todos os dias, uma pequena multidão disputa um lugar em frente à TV para assistir às notícias do "Bom Dia PE". Enquanto isso, hoje, eu degustava um café com leite com um delicioso sanduíche de ovo acompanhado de "verdurinha".


 Cafés-da-manhã top: sanduíche de pão francês com queijo coalho acompanhado de banana (esse daí optou pela banana fresca no lugar da vitamina...) e sanduíche de pão francês com queijo-do-reino e suco de cajá... Ruim!


Se você estiver com mais tempo, pode se sentar na única e disputadíssima mesinha da barraca para tomar seu café e ler seu jornalzinho sossegado. Aqui, a senhora não estava para brincadeira: encarou logo uma apetitosa coxinha com catchup e um suco de acerola bem grossinho, sem pirangagem. Já me falaram por lá sobre essa coxinha... Dizem que é maravilhosa! Amanhã, quem sabe?



Barraca das Palmeiras
Rua Afonso Pena, s/n
Boa Vista, Recife-PE








terça-feira, 29 de outubro de 2013

Frango, mostarda e mel

O que vai ser para o almoço? Outra vez aquela sobrecoxa frita apenas no sal e alho? Entendo sua a preguiça, mas dá para deixar sua ave um pouco mais engraçadinha. Basta acrescentar mostarda, mel e pimenta. Quando eu fiz essa receita pela primeira vez, não anotei a quantidade dos ingredientes (aliás, raramente eu anoto!),  mas vou chutar aqui: para quatro sobrecoxas, meia xícara de chá de mostarda, meia xícara de chá mel, dois dentes de alho amassados. Sal e pimenta a gosto. Besunte as sobrecoxas. 

Enquanto as sobrecoxas estão lá pegando um gostinho, corte batatas em pedaços grandes e cozinhe-os rapidamente na água (cuidado para não cozinhá-los completamente). 

Bom, numa frigideira, ponha manteiga e azeite e frite as sobrecoxas. Depois de fritas, acrescente mais um pouco de gordura e os pedaços de batata pré-cozidos. Deixe-os fritando até dourar. E pronto.  

No dia dessas fotos, faltou uma boa salada verde, o que seria perfeito para esse prato. Mas, tudo bem, valeu a pena. Bem melhor que a velha sobrecoxa preguiçosa no sal e no alho.









segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Dicas de primeira para as segundas #2


Abra os olhos

Mais uma vez

Encare o relógio
Encare as pendências
O pão, o café e o queijo

Encare o espelho
Com vontade

Encare a água fria
Encare as roupas
Papéis, pendências
Listas, planos

Encare o passado
Encare o presente

Feche os olhos
Encare o sol
Abra os olhos

Outra vez

domingo, 27 de outubro de 2013

Mistura tudo e pronto.

Sábado, sem trabalho, sem programa. Todos naquela maré dentro de casa durante a manhã. A família precisava de um almoço rápido e prático porque pai e filho tinham um compromisso e precisavam sair bem no comecinho da tarde, às 13h. Ai, que preguiça de cozinhar! Não havia nada pronto na geladeira que o microondas pudesse dar um jeitinho! Daí pensei: "deixa eu ver o que tem por aqui e com que eu possa fazer um único prato para o almoço". Encontrei queijo mussarela, presunto, azeitona, creme de leite, queijo parmesão ralado e macarrão parafuso. Descongelei uns pedaços de sobrecoxa e guisei no molho de tomate com caldo de bacon. Pronto. Pronto? Sim, pronto. Misturei tudo e coloquei no forno.

Pronto, boa tarde!








sábado, 26 de outubro de 2013

O não-vivido

Não acompanhei seus primeiros passos na areia molhada. Estava trabalhando, sei lá. Sem muitas opções naquela manhã, o pai acabou levando-o para um programa outdoor. Não testemunhei seus pezinhos tocando o chão nem os dedinhos se encolhendo ao tocarem a areia úmida. Não estava por perto para vê-lo se equilibrar naquela areia movediça e, aos poucos, perder o medo daquele estranho planeta chamado praia. Em pouco tempo, soube depois, adquiriu desenvoltura. Corria, ainda cambaleante, pelo enorme espelho d'água construído pela maré baixa. 

Meu primeiro filho, com este eu entrei no mar. Fui eu quem sentiu pela primeira vez suas perninhas aflitas debaixo d'água procurando algo para pisar e, depois, se entrelaçando com força em meu corpo. Com o meu caçula, não tive esse prazer. 

Lembro que fiquei chateada quando cheguei em casa e soube do passeio. Mas, àquela altura da vida, eu já havia aprendido que onipresença não é para todos. Resignei-me. "O importante é a qualidade do tempo que se gasta com os filhos" ou "você estará presente em tantos outros momentos importantes...". Pensar nessas coisas ajuda, mas não satisfaz, não é suficiente. Nada apaga por completo a lembrança de não ter vivido um momento que não se repetirá. O não-vivido permanece tal como uma carta que se apagou mas que ainda pode ser lida através das marcas deixadas no papel.



Primeira vez de Martin na praia. Momentos registrados pelo papai.










quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Minhas flores



Desde cedo
Flores estão sobre mim
Em meio a tudo
São flores que brotam
Diante de tudo 
São a elas que recorro
Mesmo sem querer
Mesmo às pressas
Delas eu vim e a elas eu sempre retorno
No fim das contas


Margarida
Bougainville
Alamanda
Miguê


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Chez Mainha

Com minha mãe aprendi a dar valor às coisas belas. 
Que sejam simples, acessíveis, mas que sejam belas. 
Com ela aprendi a não achar graça na repetição, na cópia.
"Melhor ser esquisito, estranho, 'exótico', do que ser igual".
E assim eu cresci.
Com ela aprendi a inventar.
Aprendi que nada deve se conter no prosaico.

A casa da minha mãe é tudo isso
É recheada de pequenos mimos, pequenas surpresas
Nada extravagante, nem exótico
Apenas coisas que preenchem os olhos e a alma











terça-feira, 22 de outubro de 2013

Um olhar sobre o tempo dos trambolhos*



Uma das características da modernidade é a constante busca pelo novo e, por conseguinte, a valorização de toda e qualquer novidade. No âmbito tecnológico, essa “modernização” se traduziu na preservação do corpo através da automação e na otimização do tempo. Como seres modernos, tendemos a valorizar tudo o que é novo, compacto e veloz; tudo aquilo que nos poupa o corpo e tempo. Aqueles objetos que, ao contrário, não figuram como “o que há de mais novo”, que possuem maior massa ou menor velocidade são indesejados, rejeitados, descartados – geralmente, chamamo-lhes “trambolho”. No dicionário, “trambolho” é definido como “peso atado aos pés de animais domésticos para dificultar seu deslocamento”. Trata-se, portanto, de um obstáculo, um empecilho físico, geralmente volumoso, que nos desgasta fisicamente e que nos faz perder tempo. Mas a natureza do trambolho não é absoluta, pois ele só o é em relação a outro objeto que lhe contrasta. Assim, figura como trambolho a carruagem em relação ao automóvel, o fogão à lenha em relação ao fogão a gás, ou a caneta-tinteiro em relação à esferográfica. O trambolho também possui uma faceta histórica: ele foi a tecnologia de ponta de ontem. E a acelerada obsolescência das tecnologias, principalmente das midiáticas, faz com que topemos com mais trambolhos a cada dia.

A essa altura, lembro-me de Walter Benjamin e Marshall McLuhan que, em contextos e épocas diferentes, se ocuparam em refletir sobre como as transformações das tecnologias cotidianas influenciam nossa cognição e performance corporal. Quais as transformações que, por exemplo, o e-mail ou o celular impôs sobre a nossa percepção do espaço e do tempo? Ou, mais propriamente, o que nos oferecem, nesse sentido cognitivo, os trambolhos que coexistem com as atuais e pequenas maravilhas tecnológicas? Há pouco tempo, entrevistando consumidores de disco de vinil, me deparei com esse tipo de questão. Manter ativo no dia-a-dia o conjunto vitrola+caixas+discos significa estar disposto, antes de qualquer coisa, a negociar espaço e, principalmente, tempo. De um modo geral, todo avanço tecnológico traz um desejo de otimização do espaço e do tempo; cada vez que um artefato se atualiza, executamos a mesma atividade com menos esforço e menos gasto de tempo. As novas tecnologias tornam possível realizar cada vez mais tarefas dentro do nosso absoluto e inexorável tempo biológico; elas nos abrem, portanto, janelas temporais, relativizam o tempo. Encontramos, cada vez mais, tempo no tempo e passamos a viver sob os auspícios do “enquanto”.

O estudo da vitrola e do disco de vinil – um verdadeiro trambolho diante do MP3 - me fez construir a ideia de tempo denso. Os trambolhos nos trazem um tempo denso, pois, ao contrário, dos “primos ricos”, eles desaceleram nosso ritmo: sua massa e sua performance “antiquada” não nos permitem aquela justaposição de janelas temporais. Para que um trambolho ocupe espaço e exerça a função a que se dispõe, ele precisa de tempo, do nosso tempo; ele precisa que lhe cedamos tempo. Sua massa exige, por seu volume e, às vezes, por seu material, atenção sobre nosso corpo e nossos gestos. Nossos sentidos, cada vez mais treinados a dar conta de inúmeros estímulos simultâneos, são forçados a fechar o foco e enxergar, mesmo que por um breve momento, apenas aquele objeto e sua performance. Os trambolhos que constantemente se formam e dos quais periodicamente procuramos nos livrar – correspondências de papel, videocassetes, telefones com fio (sim, eles já são trambolhos!), máquinas de escrever – são espécies de “ilhas” de tempo, massas que atraem o tempo e o impedem de correr. Somos obrigados a parar e olhar antes de seguir em frente.

Obviamente, há uma mudança qualitativa. Qualquer mudança no modo como eu utilizo meu corpo, espaço e tempo gerará, por conseguinte, mudanças na forma como eu percebo e imponho significados a esse mesmo corpo, espaço e tempo. Correndo o risco de soar romântica, acredito que existe algo enriquecedor em escrever uma carta, de próprio punho, com letras caprichadas e, talvez, até perfumada, e vê-la sumindo na caixa de correios. E o que dizer da ansiedade gerada por esperar um disco chegar às lojas e do prazer de voltar com ele embaixo do braço? Se pararmos um pouco e refletirmos sobre essas ações, veremos como elas aumentam nossos níveis de ansiedade, angústia e medo; fazem-nos criar novas soluções com maior frequência; obrigam-nos, enfim, (re)aprender a dedicar tempo às coisas. A antropóloga Janice Caiafa trata desse tema por outro viés. Em seu livro Nosso século XXI – Notas sobre arte, técnica e poderes, ela chama a atenção para o nosso presente como sendo a época da “disponibilidade”; uma época na qual os indivíduos são bombardeados por dispositivos que alimentam atitudes auto-indulgentes. Hoje, tudo nos chega “com um click”, tudo é “interativo”. O indivíduo não se depara mais com aquilo que lhe é estranho ou que lhe impõe uma maior dose de trabalho; seu ambiente se torna cada vez mais um espelho, tudo o mais funciona para não lhe contrariar. As novas tecnologias cotidianas buscam o menor nível possível de ruído para quem consome seus produtos e conteúdos. O indivíduo contemporâneo perde a capacidade de lidar com o diferente, com o que lhe contraria, com o inesperado – e isso tudo, de certa forma, o infantiliza, empobrece-lhe a sensibilidade.

A questão não é tecnofóbica: escrevo muito satistoriamente essas palavras em um computador, e, quando aparece alguma urgência e estou no meio da rua, agradeço por ter um telefone dentro da bolsa. Porém, acredito que existem algumas dimensões da nossa vida que o tempo denso dos trambolhos – todos os percalços oferecidos por sua materialidade e performance - nos oferece experiências sensoriais mais ricas e necessárias (pelo menos) ao nosso amadurecimento emocional. Salvem os iPads, mas não há preço que pague o prazer de ir a uma banca, comprar uma revista e correr-lhe nossos olhos e mãos. A vida nos exige praticidade ao mesmo tempo que nos pede o mínimo de cerimônia.

*Texto publicado pela Revista Continente

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Sardinha-pérola

Lá estava eu, depois de uma aula e uma andança pela cidade, atrás de algum lugar para comer perto da Livraria Cultura. Talvez, ali mesmo, no Paço Alfândega, sei lá. Estou na Rua da Moeda quando me deparo com esse pequeno restaurante: "Sardinha". Curiosa, entrei e pedi o cardápio. Como sugere o próprio nome do lugar, muitos pratos com sardinha, atraentes na descrição e no preço. "Vou ficar  aqui mesmo", pensei.

Não me arrependi. Muito bom atendimento, muito boa comida, muito aconchegante. Uma delícia total! 







 


Na decoração, predomina o tema náutico, mas todo o ambiente é pontuado por objetos artesanais locais e objetos antigos restaurados. Ainda, em vários cantos do restaurante, encontramos placas que incentivam o uso de bicicletas. Os donos também produzem camisas "pró-bike" e outras que tem como tema a própria cidade do Recife. 



 

De imediato não entendi a presença de potinhos com lápis de cera em todas as mesas, nem da latinha de sardinha recheada com gizes de cera coloridos sobre o balcão do banheiro. Mas, logo, percebi que no jogo americano de papel kraft havia o desenho de uma enorme sardinha para você pintar - assim como as portas dos sanitários são pintadas com aquela tinta de quadro-negro, para você deixar por lá a mensagem que quiser.  


   

 

Enquanto esperava pelo prato, pintei minha sardinha, claro!

  

O prato não demorou a chegar. E mesmo que tivesse demorado um pouquinho, teria valido a pena. Uma porção generosa (e deliciosa!) de sardinha, com legumes grelhados e arroz de com pimentões e coentro. 



 

Por fim, não resisti ao "Toucinho do Céu", um doce português a base de gema. Ainda bem que cedi à tentação! 
Final da história: um prato principal, uma taça de vinho branco, sobremesa, café, água e serviço, tudo por R$ 60. Sem falar no sabor e na delicadeza do lugar. Em uma sexta-feira, finalizando uma semana infernal de trabalho e de dieta, para quem esperava se sentar em um self-service qualquer de shopping, meu almoço não teve preço! 


Quero voltar já!



Restaurante Sardinha
Rua da Moeda, 162
Recife Antigo
Recife -PE
Telefone: (81) 3224 7854