quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Brasília, uma cidade-promessa.

Esse semestre, ministrei uma disciplina chamada "Sociologia Econômica e Política Brasileira" para uma turma de jornalismo, do segundo período. Como conclusão da disciplina, pedi aos alunos um trabalho escrito sobre um dos temas que havíamos discutido nos últimos dois meses. Esses temas giraram em torno das relações entre Estado e Cultura na era do rádio, no período populista e durante a ditadura militar. Vários trabalhos me trouxeram pesquisas fantásticas, mas, dentre eles, um se destacou. O texto abaixo foi escrito pelo meu querido aluno Sérgio Valença "Pezão", pessoa que, diferentemente de todas as outras de sua turma, viveu no espaço-tempo de Brasília nos anos 1960 e 1970. Antes mesmo de escrever o trabalho, ele veio me perguntar: "posso contar minha história?". Eu disse a ele para ficar a vontade. Fui presenteada com essa pérola. 

Borrou meu rímel (descontei-lhe 0,1 ponto!).



Planalto Central, Plano Piloto, Liberdade.

Aos 7 anos de idade desembarquei na capital federal. Depois de um ano morando em Cascavel, Paraná, fizemos a mudança por conta da doença renal do meu irmão mais novo. Teve que se operar às pressas no Hospital de Base, por cirurgião amigo da família e craque no assunto. Meus pais chegaram antes, se apaixonaram pelo lugar e fomos todos morar juntos na SQS 410, nosso primeiro endereço.
A cidade verde-oliva, ocupada por "milicos" de toda espécie, não me assustava. Aos 7 o que eu queria era empinar papagaio e Brasília era o lugar perfeito para isso. Ventava bastante e não havia fiação elétrica suspensa. Tudo era embutido. As avenidas, largas, e o verde sempre presente nas quadras (bairros) onde morávamos, nos dava uma estranha e gostosa sensação de liberdade.  Mal sabíamos, os 4 filhos de Marcílio e Lygia, que a ditadura passava pelo pior período, o governo Médici (1969/1974).
Meu pai, advogado, fez contatos com políticos pernambucanos (Sérgio Murilo, Marcos Freire, Thales Ramalho, etc), todos oposicionistas históricos ao regime ditatorial. Estabeleciam-se as conexões com os pernambucanos desaparecidos, perseguidos, cassados. Muitas vezes peguei o Dr. Marcílio reclamando baixinho: "Não vai ser fácil morar aqui, mas topo o desafio".
Em 1972, Brasília havia completado 12 anos de vida. Embora fosse a capital da república, muitos optaram por morar no Rio de Janeiro, abdicando de cargos e mordomias, em troca de aposentadorias precoces. Os que foram, não se arrependeram, acho. Nem todos eram militares, havia gente concursada e era preciso calibrar os motores da invenção de Juscelino Kubitscheck.
Brasília era um deslumbre, um mistério, várias interrogações.
Em 1974, aos 9 de idade, fizemos a primeira mudança. Saímos da 410 e fomos morar na 104, também Asa Sul. Foi aí que comecei a perceber o que, realmente, a cidade representava para todos nós, para mim.
A escola pública ficava colada ao prédio onde morávamos. O comércio também. A vida na 104 era diferente. E havia um número maior de políticos e militares ao redor.
Mas, ao mesmo tempo, cultivávamos atos democráticos, impossíveis de serem vistos hoje em dia.
Na minha escola, por exemplo, era proibido levar lanche de casa.
Todos, do filho do senador ao sobrinho da empregada doméstica, comiam a mesma coisa na hora do lanche. Não havia o que comprar lá dentro.
Esta foi uma lição que jamais esqueci na vida.
Na parte da manhã, a escolinha da quadra.
À tarde, a Escola Parque, que era o complemento do estudo obrigatório da manhã.
Nada de Educação Moral e Cívica, Matemática, Português.
Na Escola Parque tive o primeiro contato com a música clássica. Pratiquei basquete, natação e futebol. Tive aulas de aquarela e nanquim. Montamos grupos de teatro e bandas de música. Além de aulas de fotografia, iluminação, serigrafia, marcenaria, etc. A escola era uma festa, ninguém faltava.
Por conta dela, fomos descobrindo os espaços culturais da cidade, os que ficavam mais próximos.
O maior deles era o Galpão-Galpãozinho. Um teatro grande e outro menor. Uma farra. Peças todos os sábados. E ninguém perdia.
Sabia que o eixo Rio-São Paulo ainda "mandava" na cultura do país.
Principalmente o Rio Bossa Nova, que viveu dessa fama por muito tempo.
E que, ao deslocar a capital federal para o centro do país, Juscelino levou pessoas que ocupassem os espaços criados por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer.
Mas a cultura não foi junto, estancou nas capitais do sudeste.
Embora a passos lentos, as escolas de arte se espalhavam pela cidade.
A Escola Parque passou a ser referência e, no seu auditório (teatro) muitos shows vieram a acontecer, mesmo dormindo sob os braços da censura.
Zé Ramalho lançou seu primeiro disco naquele teatro.
O "Projeto Pixinguinha" também começou ali (acho que em 1976).
Shows fantásticos, peças extraordinárias.
Aos 12 anos, 1977, eu já sabia o que Brasília nos reservava.
Diante do movimento teatral coordenado pelo Galpão, que introduzia novas leituras a clássicos da dramaturgia, sempre com um leve tom crítico ao governo militar, uma outra vertente se armava, escondida, nos casarões do Lago Sul.
É preciso explicar que, no Plano Piloto, no "pássaro", só existiam apartamentos. Das quadras 100 a 400. Nas 500 e 700, casas. E nas 900, colégios, clubes, igrejas.
No Lago, não, a coisa era diferente. Primeiro porque os moradores eram funcionários de primeiro escalão, de empresas privadas e de embaixadas.
Era por aí que o rock de Brasília ia meter as suas mãos.
Volto ao assunto adiante.
A política de Juscelino de fazer 50 anos em 5, por incrível que pareça, reverberou entre os militares.
Mesmo no ocaso do ISEB, do nacionalismo x progresso a todo custo, o país crescia.
Brasília mais ainda, numa velocidade impressionante.
Se, de um lado, havia os que defendessem os "valores do passado", por outro lado uma turma seguia e mantinha o olhar fixo no horizonte.
Juscelino, mesmo distante do poder desde 1961, era citado e amado pela população.
Lembro, novamente, meu pai falando: "Serão derrotados sem que aconteça nada de absolutamente anormal aqui em Brasília. Serão derrotados pelo cansaço. Geisel já enxerga o país de outra forma. Ele vai comandar esse processo, aposto."
No pôr-do-sol mais lindo que a cidade já viu, segundo a minha mãe, a cidade enterrou o corpo do ex-presidente.
Não foi acidente, muitos reclamavam.
Assassinaram JK, agosto de 1976.
Aí Brasília despertou, amadureceu.
É preciso lembrar que foi um general, Henrique Lott, que garantiu o mandato de Juscelino, eleito pelo povo em 1955.
O general derrotado, Juarez Távora, liderou um movimento que impediria a posse de JK por quase dois meses. Alegava que, não tendo sido eleito pela maioria absoluta dos votos, não poderia assumir a presidência. Estado de Sítio.
Juscelino obteve 36% dos votos contra 26% de Juarez.
Em seus anos derradeiros no poder, Ernesto Geisel, que governou o Brasil de 1974 a 1979, demonstrou aqueles sinais de cansaço que o meu pai identificara anos antes.
Brasília já era uma cidade independente do eixo Rio/SP.
Caldeirão imenso de culturas, abrigou gente de todo canto.
Arquitetos do mundo todo vinham conhecer a obra viva de Costa e Niemeyer.
Grupos de teatro e música se formavam em quadras.
E o Lago Sul pulsava.
Volto ao local para justificar o que somente acontecia na capital do país.
Pela absurda concentração, lógico, de embaixadores e cônsules, Brasília criou uma espécie de mercado negro de equipamentos musicais, importados ilegalmente do exterior.
Era incrível como as bandas usavam equipamentos de ponta.
Além disso, a UnB (Universidade de Brasília), já funcionava como válvula de escape para todos nós, descontentes com o regime.
Eu já havia passado dos 14 anos, falsificava a carteira de estudante para ver "Saturday Night Fever", jogava basquete pelo Marista e fugia em direção ao campus da UnB para ver a música nova da cidade.
Os "caras" chegavam, subiam nos postes, ligavam os equipamentos e tocavam até a polícia chegar.
Como a UnB era muito grande, a chegada da polícia, quase sempre, encontrava os palcos vazios.
Num destes, se apresentou Renato Russo, comandante do 'Aborto Elétrico'.
Estava criada a cena rock de Brasília.
Relevante, atualíssima, explosiva.
Fôlego para as novas gerações.
Saí de Brasília em 1979, dia 31 de dezembro.
Ao chegar no Recife, minha avó perguntou, já sabendo que não voltaríamos ao Distrito Federal: "Está feliz, meu neto?"
"Não, vó, hoje é o dia mais triste da minha vida."
Mal sabia que a mudança tinha outra razão.
Um descolamento de retina tornou meu pai cego três meses depois.
O dia mais triste mudou de lugar.
E eu mudei junto.
Juscelino, Brasília e os militares ficaram no passado.
Até João Figueiredo, empossado em 1979, e sócio do mesmo clube que frequentávamos, a Sociedade Hípica de Brasília, foi desaparecendo da minha memória.
Guardei comigo o sol do agosto seco, o sol mais bonito do mundo.
A amplidão de tudo, de todos os sonhos possíveis.
Os muitos amigos que deixei.
As escolas que frequentei.
E trouxe, na minha maleta, esta que anda nas minhas costas, parte da bagagem que me alimentou a vida inteira.
Bem antes de Antônio Cândido ou Hélio Jaguaribe e até mesmo Sérgio Buarque de Hollanda, meu ídolo foi JK.
Os que viveram aquela época sabem do que estou falando.
Os que chegaram antes.
Os que chegaram um pouco depois.

Os que viveram Brasília.


Recife, 4 de dezembro de 2013.


P.S. Pezão, não sei se você gostou do título do meu post. Mas, foi assim que eu senti tudo o que você colocou no papel.

sábado, 16 de novembro de 2013

Notebook

Preparando-me para reescrever
Porque reescrever é preciso
Hoje, amanheço com novas páginas em brancos
Em novas páginas vazias
Com a cabeça ainda mais cheia de garranchos

É preciso recomeçar
A partir do zero, jamais
As canetas devem ser novas 
Os cadernos também
A mensagem, esta não
O que se escreve deve ser carregado
Deve conter o peso de tudo que se foi
Mas que seja um peso leve
Que pese graciosamente
Afinal, trata-se do que passou


 Hoje, eu "comecei" um novo caderno
Suas folhas em branco me dão força
Alívio, coragem
Ainda mais vontade
E que, daqui a um ano, eu o tenha em mãos 
Repleto
De tudo, novamente
Preparando-me, com a mesma vontade
Para recomeçar outra vez



quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Sansa: um prêt à manger pertinho de você!

Hoje conheci e almocei em um lugar muito legal, o Sansa - Sanduíches & Saladas. A proposta do lugar é similar a do Pret A Manger, em Nova York: comidas leves e saudáveis para aquele horário apertado e corrido do almoço. Em vez de você se agarrar com o PF da esquina ou acabar naquele self service mais insosso do que bola de isopor, corre lá no Sansa e aproveita os sanduíches e saladas incríveis do cardápio. Verdade que o local abriu há pouco tempo; ainda não tem placa na fachada e nem a decoração está completa. Mas, já é um ambiente muito aconchegante. Claro que nem todos podem se dar ao luxo de ter essa opção de almoço durante a semana... Salve, salve, trabalhadores do Recife Antigo!










Taí meu humilde almocinho: 

Salada Apple (folhas verdes, gorgonzola, nozes, maçã e vinagrete de maçã)
Sanduíche Sansa (baguete com gergelim, filé mignon, cogumelos frescos, mussarela light, salada, molho de mostarda)
Suco de Abacaxi com Hortelã

Ah, e as porções são bem reforçadas! Quis muito pedir uma sobremesa e café para postar por aqui, mas, não aguentei! Um sanduíche e uma salada servem duas pessoas de apetite moderado. Vale muito à pena! Já tô aqui pensando qual será meu próximo pedido...



Sansa - Sanduíches e Saladas
Avenida Rio Branco
Recife Antigo
Fone: (81) 3224 7614

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Non stop!

Em casa, precisando ler mil coisas e ainda rever uma documentário para uma aula logo mais. Dar um tempo nisso tudo para preparar almoço? Ai, que perda de tempo, meu deus! Mas, nada que uma boa e prática saladinha não resolva, né?

Para começar, coloquei logo o computador na mesa da cozinha para facilitar as coisas. Levantei duas únicas vezes: a primeira para colocar um ovo e uma batata cortada em cubos no fogo. A segunda vez foi para misturar todos os ingredientes: cebola, tomate, batata, atum, alface, ovo, maionese, azeite, sal e pimenta.


Vapt-vupt! Passei a manhã debruçada no computador: enquanto mantinha a caneta em uma das mãos, anotando uma coisa aqui outra acolá, com a outra, enchia o garfo com minha humilde saladinha de atum!


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Bonecas Tilda, por Célia Mendes

Vocês conhecem as bonecas Tilda? Lindas, não? Pois é, há algum tempo, Célia Mendes, minha mãe, se apaixonou por elas e tem se dedicado a sua confecção. Olha só o resultado!













Olha que mimo essas sapatilhas! Célia aperfeiçoou o modelo das sapatilhas das bonecas Tilda originais. Cá pra nós, ficaram muito mais delicadas e bonitas!

Outros personagens


O anjinho de pijama


O palhacinho e o Papai Noel




A bailarina e a princesinha

No dia 08 de Dezembro, as bonecas e demais personagens Tilda confeccionados por Célia Mendes serão expostos e colocados à venda em um Bazar de Natal, que será realizado no La Comédie Bistrot.

Mais informações em breve!













domingo, 10 de novembro de 2013

Fui eu, gente!

Aaaah... Porque domingo, gente, domingo é um dia para ficar com a família e com os amigos. Um dia para jogar fora as tralhas, mudar móveis de lugar, limpar a caixa de e-mail. Dia de comer macarronada, beber cerveja, Guaraná Antarctica, e comer queijo com goiabada. Dia para cuidar das plantas, cortar as unhas das crianças, Fórmula-1, futebol, tocar violão e... cantar Sempre Livre! Rá!



Ignorem o violão coxinha e a interpretação duvidosa e se concentrem na poesia profunda e hermética do puro chiclete tutti-frutti!
Um ótimo domingo a todos!

https://soundcloud.com/mari-trajano/fui-eu